terça-feira, 19 de julho de 2011

O Mito da Telinha - ou o paradoxo do fascínio da educação mediada pelo computador.

Segundo o Profº. Moran, televisão e vídeo com a imagem, o som, os movimentos e outras coisas envolvidas na mídia, acionam e elevam todos os sentidos levando a uma melhor compreensão. Não seria diferente com o computador: o usuário é levado a uma compreensão do todo, da realidade, pois não só sua inteligência é aguçada, mas também suas emoções, seus sentidos. A riqueza de combinações de linguagens desperta nosso cérebro, o nosso eu, nos mostrando todos os caminhos possíveis a se percorrer no aprendizado, nos envolvendo sensorial, afetiva e racionalmente. A TV, portanto, permite desempenhar um ritmo mais acelerado na educação, permitindo o trabalho com imagens, filmes, desenhos, diferente do ensino tradicional, o qual se prende a normas e formas mais estáticas e abstratas de ensino. O uso dos meios de comunicação nesse caso impõe mais vida na educação. Porém, a introdução da TV na educação também mostrou limitações, onde o aluno só aprendia o que era “discursado” na televisão. Permitiam-se ainda debates sobre as mensagens recebidas, mas e por que não debater a forma como essa mensagem era passada aos estudantes? O aluno de qualquer forma ficava preso ao discurso que era promovido pela TV, sem qualquer interação com o equipamento.
  O uso das novas mídias (CD, DVD e, em especial, do computador) como ferramentas educacionais, por suas múltiplas possibilidades, vem quebrar, inclusive, essa limitação. Atualmente alunos e professores possuem nas mãos o poder de editar seus textos e trabalhos de forma mais dinâmica. O leitor possui uma liberdade extrema de leitura, pois através dos links, pode aprofundar-se em qualquer conteúdo seguindo a ordem de seus interesses, e não uma leitura “linear”. O computador se diferencia nesse caso da TV, pela possibilidade de interação com o equipamento, por podermos escolher os caminhos que mais nos agrada para chegarmos ao fim desejado, pela economia de tempo e espaço e além de tudo pelo adicional da Internet, a qual nos possibilita viajar em todo o mundo, e se mostra como um completo sistema de (tele) comunicação. O aluno ou o professor não está mais obrigado a receber apenas o discurso que melhor convém a TV, mas através das ferramentas da Internet abre-se um leque de informações e diferentes opiniões, o que nos permite acionar o nosso sentido crítico do que é e o que não é bom para nós. O computador hoje possibilita a chegada do saber em áreas restritas e de difícil acesso, e a quebra de barreiras.
  Mas mesmo diante de tantas vantagens midiáticas para educação, podemos nos perguntar se diante de uma sociedade onde há tanta exclusão social, também não há o que se chama de exclusão digital. É impossível dizer que são todos os alunos e professores que dispõem desse mundo deslumbrante de tecnologia. E será que todos os profissionais são capacitados para lidar com essa nova mídia, será que todo professor sabe limitar o uso da Internet? Sabemos que a Internet possui uma abrangência enorme de informações, as quais servem para nosso aprendizado e formação, mas também as que não nos edificam em nenhuma área de conhecimento. E, se isso acontece devemos nos conscientizar que não será a inclusão dos computadores nas salas de aula que resolverão todos os problemas da educação, o computador pode servir como um ponto de apoio na formação do aluno, mas ainda é necessária a presença de professores capacitados para ensinar os alunos a serem cidadãos pensantes, formadores de opinião, críticos e que mesmo diante das facilidades encontradas no computador eles si tornem mais interessados nas aulas, sabendo que o equipamento midiático se trata de complemento para aprendizagem e não de uma forma de comodismo educacional. É aí que nos perguntamos, o que nos falta é apenas um COMPUTADOR? È inevitável a discussão sobre o conhecimento na evolução tecnológica, mas acima de tudo aprendermos a compreendê-la e separarmos o que realmente nos faz crescer é indispensável.

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